André Motta tem uma vasta experiência no mundo musical. Iniciou sua carreira profissional em 1989 ao ser contratado por uma casa noturna aos 13 anos de idade.
Com técnica extremamente apurada, o DJ tem como diferencial inserir em seus sets de música eletrônica, manobras anteriormente usada somente pelos DJs de Black Music.
Em 1994 foi um dos criadores do programa mais importante de música eletrônica no interior paulista e um dos mais importantes do Brasil, o Rota 91, no ar até hoje.
Durante sua carreira passou por casas noturnas consagradas, além de eventos importantes como o FILA NIGHT RUN, realizado pela marca FILA e Battle of the Year (edição Brasil), a maior batalha de BBoys do mundo.
Além de DJ, André Motta também é produtor e empresário responsável pela a Aimec (Academia Internacional de Musica Eletrônica), unidade Campinas da maior escola de DJs do Brasil.
Motta acaba de lançar o EP "Old Is Cool", lançado selo Anarchy in the Funk. Agora você confere uma entrevista exclusiva com o DJ e Produtor Andre Motta.
Love: Seu próximo lançamento é o EP Old Is Cool, pelo selo Anarchy in the Funk, falei um pouco sobre ele.
Motta: Nesse EP eu deixei as influencias da Black Music dos anos 70 e 80 me influenciarem. Eu queria uma cara nova, moderna, mas com a atmosfera dos bons tempos do Funk e do Electro Funk.
Love: Como é o seu processo de criação?
Motta: Em primeiro lugar eu só consigo criar quando estou muito a vontade, geralmente à noite antes de dormir é que surgem as idéias. Nesse momento abro o computador e preciso registrar a idéia imediatamente, fico geralmente até umas 4 da manha montando a historia da musica, esse é meu melhor momento. Quando estou longe do computador, tento registrar a idéia nem que seja no meu Iphone, para depois levar para o estúdio.
Love: Você tem produzido outros estilos além do Breakbeat?
Motta: Tenho sim, lancei há dois meses atrás o EP Low Frequency, somente com Tech House, Minimal e Techno. A principal faixa Low Frequency em 3 dias atingiu a marca de posição 63 nas mais vendidas do gênero no Beatport, permaneceu no top 100 por uma semana.
Love: Em sua opinião, o que aconteceu de bom e o que aconteceu de ruim na cena nos últimos anos?
Motta: De bom o crescimento do mercado. A quantidade de pessoas que passaram a admirar a música eletrônica hoje é muito maior. Isso abriu muito espaço e elevou o trabalho do DJ ao estagio de artista, e não um mero técnico de som na cabine como era antes.
O lado ruim é a bagunça de informação causada pela velocidade dos meios de massa. Pouca gente consegue identificar gêneros musicais, o comercial e o conceitual se misturando, line ups mal montados por contratantes e vários outros detalhes que justificam porque as casas noturnas não estão conseguindo se manter por muito tempo, e ainda tem que disputar público com pagode e sertanejo, isso é deprimente. A mídia tem um poder avassalador.
Love: Como professor e responsável pela AIMEC, qual a sua opinião sobre os novos DJs?
Motta: O que me chama a atenção é a forma com que os DJs atuais usam a tecnologia. Ela virou uma espécie de vilã, o que era para somar, trazer coisas novas, acabou servindo como área de conforto e facilidade pra gente sem criatividade. Acho que tem muita gente boa na geração atual, mas nunca tivemos uma cena com um nível de criatividade tão baixo… Isso em nível mundial.
Love: Mais uma vez você foi escolhido para tocar no Battle of the year! Como é tocar no maior campeonato de dança do mundo?
Motta: Bom, é diferente de tocar em qualquer balada. O foco é um repertório que fale a língua dos Bboys e Bgirls. Tive que aprender a entender o público pelo tipo de dança e não gênero musical. O que mais me agrada é a liberdade de rolar musicas de altíssima qualidade, novas e antigas, e ver a reação positiva da galera. Na Battle toco musicas que jamais conseguiria tocar numa pista comum.
Love: Qual o segredo para se ter uma carreira longa?
Motta: Ser apaixonado por música e dedicar a vida a isso, tudo que se faz com prazer tende a ser duradouro. Graças a Deus consigo viver de musica, seja discotecando, em estúdio, em radio ou dando aula a mais de 20 anos. E não pretendo parar tão cedo.
Love: Qual foi a melhor noite para você como DJ?
Motta: Sem duvida uma noite que toquei pela primeira vez com 4 toca discos, ao lado do Tuca Flash, num projeto que tínhamos junto chamado Double Vision. A resposta do publico a nossa apresentação foi impressionante. Colocamos cerca de 50 musicas em 1 hora. Pra época foi revolucionário.
Love: O que ainda falta alcançar?
Motta: Bom, sempre falta, eu nunca estou satisfeito. Quero meu nome circulando no mundo inteiro, e hoje isso possível tendo minhas produções disponíveis em lojas na internet. Em 1996 lancei um CD de um programa de rádio que eu fazia. Foi vendida uma quantidade bastante grande, foram varias tiragens, mas somente em São Paulo. Às vezes é melhor vender menos e estar no mundo todo, do que vender muito num lugar só.
Love: Planos para o futuro?
Motta: Esse ano ainda quero lançar mais dois Eps, dessa vez em vertentes de House. Já tenho prontas faixas que serão lançadas em outros discos. Uma delas em uma coletânea do selo Anarchy in the Funk previsto para outubro, e outra é um remix do single do nosso amigo André Luchi que será lançado muito em breve.
Estou também montando um novo projeto para apresentações, um LIVE, mas num formato um pouco diferente do que se vê nas apresentações hoje. A idéia é ser ousado nas tecnologias e causar uma atmosfera músical moderna, com um som pesado mais acessível, com pitada de clássicos do passado.
Love: Congratulações finais.
Motta: Agradeço ao site Love E Sound e o selo Anarchy in the Funk pela oportunidade de expor meu trabalho.
Confira algumas faixas de Andre Motta
Andre Motta - It's party time (MS Jay scratch) by andremottamusic
Andre Motta - This is my planet by andremottamusic
Andre Motta - Cosmic by andremottamusic
Contatos:
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